Guilhermo Arriaga
Guilhermo Arriaga é um sujeito que me intriga. Ele é roteirista de cinema e escritor. Na primeira função, assinou Babel, Os três enterros de Melquiades Estrada, 21 gramas, todos filmes que adoro. Como autor, assinou Búfalo da Noite e Um Doce Aroma de Morte, livros que estão na minha próxima listinha de aquisições.
Com certo atraso, descobri uma entrevista dele no Youtube, que coloco abaixo. Entre tudo o que ele falou, destaco os conselhos que ele dá aos escritores iniciantes. Ele diz (na segunda parte da entrevista):
Todo escritor escreve. Parece muito bobo, mas há pessoas que se castram e tem medo de escrever. Termine o que está escrevendo. Não julgue seu trabalho, deixe que os outros o julguem. Há muitos escritores que tentam se comparar a Kafka, Faulkner, ou Jorge Amado, Guimarães Rosa. Se você fizer assim, nunca vai conseguir. (…) Nunca procurem ser profundos. Vocês contam a história. Se forem profundos em si mesmos, a história será profunda. Não se pode ser profundo por decreto.
É um contraste com os conselhos dados por autores brasileiros. Já vi muitos comentários do tipo: você está fadado ao fracasso, desista enquanto há tempo, estão todos contra você. Falam como se escrever fosse uma dádiva suprema reservada aos autores renomados e seu clubinho de amigos – e não um prazer pessoal do autor em conseguir traduzir num parágrafo sua visão de mundo.
Não consigo identificar nesses conselhos o limite entre: seu uso como guardiões de um templo intocável e inacessível (a literatura) reservado apenas aos que possuem caneta de ouro; o narcisismo quase infinito de quem os profere; o conselho sincero de quem já levou muita porrada da crítica.
Enfim, aqui vai o Guilhermo.